domingo, 9 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM ADEMIR DA GUIA - O DIVINO DA BOLA parte 3: O Adeus inesperado e os dias de hoje


Em 1977, com 35 anos de idade, o Divino ainda sentia-se bem para jogar futebol, porém, em agosto, foi detectado um problema que provocava uma secura na garganta e isso fazia com que ele não conseguisse correr. A descoberta da doença fez Ademir da Guia decidir pela aposentadoria. Ainda no 2º semestre, o meio-campista já não jogava mais com intensidade e estava em boa parte do tempo no banco de reservas. Era o adeus...

No fim do mesmo ano, Ademir fez a sua última partida como jogador contra o Corinthians. A despedida foi emocionante. Jogou apenas um tempo, mas, ao sair de campo, foi aplaudido por todo o estádio, inclusive pela torcida rival.

Precocemente, o ídolo palmeirense deixava os campos. Ele ainda queria jogar, mas a doença repentina o fez parar e cuidar da saúde. Cirurgias foram feitas, porém sem curas. Ademir ficou por muito tempo sem poder praticar atividades físicas. Após 20 anos afastado, ele conseguiu superar o problema e voltou a fazer esportes.
“Eu parei com 35 anos, mas dei graças a Deus que o problema apareceu nesta idade. Pois se aparecesse com 25, teria que parar com 25. Mas jogaria tranquilamente mais uns quatro anos pelo menos. Eu ia chegar a mais de mil jogos no Palmeiras. Eu não parei de jogar, eu tava jogando, tava bem, fiquei doente. Pra mim, o importante foi poder vencer a doença. Outros jogadores tiveram o planejamento e dizer que vão parar. No meu caso, não tive isso, eu não parei de jogar”, desabafa o palmeirense.

Em 1984, recebeu uma festa de despedida. O evento foi organizado pelos amigos companheiros da época de Palmeiras, César Maluco e Luís Pereira. Entretanto, ainda não era a tão sonhada despedida do Divino. Ele afirma que continua jogando e pensa em se despedir somente após a inauguração da Arena Palestra Itália, prevista para 2013.

Foram 16 anos de prestação de serviços ao Verdão. Neste período, Ademir foi idolatrado como um dos grandes representantes da melhor fase da história palmeirense, as duas Academias nas décadas de 60 e 70. Ele é considerado, por muitos, o maior ídolo da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Os números são incontestáveis com a camisa verde e branco. Disputou 901 jogos, venceu 509 partidas, empatou 234 e perdeu apenas 158. Fez em toda a trajetória no time paulista, 153 gols. Como prova do reconhecimento, o clube construiu um busto de bronze nos jardins do Palestra Itália. Hoje, o estádio sofre uma reconstrução, mas é certo que o busto ficará nos arredores da Arena.
“O Palmeiras me deu tudo aquilo que um jogador tem ambição de ganhar, inclusive tive a oportunidade de conhecer o Brasil, conhecer a América do Sul, Central e Norte, a Europa, nós fomos à Rússia, Japão. Então são coisas que você ver que na vida normal, você não consegue. O Palmeiras me projetou, pois a gente foi cinco vezes campeão paulista, cinco vezes campeão brasileiro o qual mudava de nome e consegui chegar a uma copa do mundo em 1974, na Alemanha. Na verdade, a minha carreira faltava isso, poder também como meu pai, participar de uma Copa do Mundo”, conclui Ademir.

Nos últimos anos, o ex-jogador partiu para o segmento político, e se tornou vereador em São Paulo. Ele admite que aderiu a esse caminho, pois na idade em que está, é importante sempre permanecer na ativa.
Atualmente, o Divino está bem de saúde. De vez em quando joga futebol de masters. Ele revela que ainda deseja estar trabalhando no futebol, principalmente dentro do campo, pois é mais fácil já que por muitos anos militou neste esporte. Sobre a possibilidade de ser treinador, Ademir da Guia admite que coragem não falta, mas principalmente deve-se ter disposição para trabalhar na área.

Sem deixar a bola cair, ele deu o seu “pitaco” sobre a seleção brasileira na Copa de 2014. Segundo Ademir, se o técnico não conhecer os seus titulares, definir quais são, fica muito difícil de entrosar o time, fazer a equipe ganhar experiência internacional. Mas ele acredita que dentro de um a dois anos, ainda dê tempo para resolver este problema.

Por fim, o ídolo do Palmeiras fala sobre a situação atual do time de coração. Nos últimos anos, o alviverde vive uma situação complicada dentro e fora de campo. O clube está carente de títulos, ao contrário dos rivais Corinthians, São Paulo e Santos, que frequentemente ganham campeonatos. Dos quatro grandes é o que está há mais tempo sem conquistar um torneio nacional. Segundo o Divino Mestre, a receita para que o Verdão acabe com a fase turbulenta é encontrar a confiança para achar o caminho das vitórias. “O futebol vive de vitórias. Neste Campeonato Brasileiro, nós perdemos o foco. Estávamos em quarto, caímos para quinto, sexto, sétimo e aí cada vez a gente se distancia mais. Assim, fica muito difícil, pois eu sempre bato na mesma tecla. Temos um time titular? Às vezes, Kléber não joga, Valdivia não joga, Marcos também. Então, eu não vejo o Palmeiras como equipe titular, onze jogadores que você possa falar que esses são os que vão resolver. Enquanto não tivermos onze titulares, ai fica muito difícil, por que um joga hoje, outro amanhã e a equipe não joga bem, está sem confiança, não faz gols. Tudo isso é importante para que o jogador possa entrar com confiança, conhecendo o colega, sabendo como ele vai tocar. Se você coloca um hoje, outro amanhã, os jogadores não se conhecem, consequentemente os resultados não vêm e isso causa toda essa confusão”, palavras de Da Guia.

Em 2001, o ex-jogador virou tema de um livro chamado “Divino: Vida e a arte de Ademir da Guia”, de Kléber Mazziero de Souza, que conta a história da carreira do ídolo. Cinco anos mais tarde foi lançado um filme que conta a trajetória do palmeirense, “Um craque chamado Divino”, de Penna Filho. Homenagens merecidas a uma pessoa que, em 2012, completa 70 anos de vida e é exemplo para muitos jogadores de futebol que surgem agora no cenário nacional. Passou praticamente toda a carreira num clube que aprendeu a amar e foi correspondido. Além de tudo isso, trata os seus admiradores e críticos com o mesmo carinho com que tratava a bola nos pés.

ENTREVISTA COM ADEMIR DA GUIA - O DIVINO DA BOLA parte 2: Academia na década de 1970 e Seleção Brasileira


Entretanto, o auge de Ademir da Guia viria nos anos 70. Naquela época, a fase do Palmeiras era tão notória que a história do clube foi dividida em duas partes. A primeira Academia, nos anos 60 e a segunda Academia, na década de 70. Ademir participou das duas e se consagrou com a camisa do Alviverde Imponente. A inteligência, a habilidade e o modo sereno com que tratava a bola nos pés era algo raro feito por alguém no futebol brasileiro. Sempre jogou no meio-campo, era a posição em que sentia-se mais à vontade. “Na verdade eu tinha essa facilidade de jogar no meio campo, fazer gols. A gente nota e vê aonde você pode jogar. Eu tinha essa facilidade no meio de campo e sempre joguei nessa posição, apesar de ter técnicos que às vezes jogava a gente em outras posições”, ressaltou o ex-jogador.

Mas como ele conseguia manter a tranquilidade que tinha com a bola nos pés? Concentração, confiança? Ademir explica:
“O jogo em si, depende muito das primeiras jogadas. Se você começa um jogo e acerta a primeira, depois a segunda fica mais tranquilo, mas se você erra as duas, já fica nervoso. Então depende muito do início do jogo, daquilo que a gente tá vivendo naquele momento”.

Período este que durou muito tempo e o consagrou como o “Divino” da Academia. Ademir, com toda humildade, afirma que herdou o apelido do seu patriarca. “Na verdade, o apelido de Divino não é meu. O meu pai, quando jogou no Nacional-URU, a torcida colocou apelido nele de Divino Mestre. Então, quando eu cheguei ao Palmeiras, saiu nos jornais: Palmeiras contratou filho do Divino! Assim foi passando o tempo e então ficou, Ademir da Guia, o Divino. Mas o apelido só está emprestado”, sorriu Ademir.
Tão Divino quanto ao pai, o filho era o maestro daquela equipe que tinha grandes jogadores como Leão, Luís Pereira, Dudu, Leivinha, César Maluco, entre outros. Para ele, a chegada do técnico Brandão fez o clube mudar a mentalidade tanto na preparação física quanto no ambiente. O treinador aplicou a filosofia de trabalho e reduziu o elenco de 45 jogadores para apenas 26, decisão esta que fez a equipe entrosar e se conhecer melhor, pois com o tempo, os atletas sabiam com quem jogariam e pensavam como o companheiro ensaiava a jogada. O clube se fortaleceu economicamente devido à fase que passava dentro de campo e os contratos melhoraram financeiramente com o reduzido número de jogadores.

1972 foi inesquecível ao Palmeiras, pois o time ganhou tudo o que disputou. Com muito orgulho, o Divino faz questão de ressaltar as glórias alcançadas naquele ano. “Nós ganhamos o Torneio Laudo Natel, que era só de grandes equipes, fomos à argentina jogar o Torneio de Mar Del Plata contra os melhores times de lá, ganhamos o Campeonato Paulista invicto, Campeonato Brasileiro e vencemos o Troféu Ramón de Carranza, na Espanha. Então, em um ano consegui ganhar cinco torneios com grandes equipes. Realmente foi muito bom, o melhor ano da minha carreira, excelente. E o mais importante, é que eram os mesmos jogadores, nós tinhamos os onze titulares, que se conheciam e isso ajudava muito”, afirmou o craque.

No ano seguinte, Ademir conquistava mais um título brasileiro para comprovar o timaço que o Palmeiras possuía na época, dominando o cenário no início da década. Já o título paulista de 1974 foi emblemático, pois a decisão era nada mais, nada menos contra o arquirrival Corinthians. O alvinegro vinha de um longo jejum sem títulos, enquanto a Academia ganhava praticamente tudo o que disputava. A final foi inesquecível para o Divino e ele conta como era naquele tempo o clima da rivalidade.
“Essa rivalidade já existia naquela época. Quando você joga contra o Corinthians, a semana é diferente. Mais gente cobrindo, mais repórter no campo, mais torcedores, a pressão aumenta, tudo aumenta. Se você ganha, o prêmio aumenta, você faz um gol e já é um craque, então é tudo diferente. Nós notamos que eles entraram muito nervosos, pois eles precisavam ganhar. Mas a gente não, estávamos tranquilos, pois tínhamos sido campeões brasileiros em 1973 e isso facilitou pra gente”, retrata Ademir.

O ano de 1974 também foi marcante a ele, foi convocado para jogar a Copa, na Alemanha. Porém, o Divino não brilharia como no clube devido às poucas chances de atuar como titular. A seleção brasileira manteria a base tricampeã no México e, assim, Ademir ficou a maior parte do tempo no banco de reservas. A única partida do Mundial em que jogou foi na derrota de 1 a 0 para a Polônia na decisão do 3º lugar e foi substituído durante o confronto. Apesar de entrar apenas no último jogo, Ademir estava feliz, pois realizou um sonho de família. Assim como o pai, jogou também pela seleção brasileira uma Copa do Mundo.

Ainda sobre a seleção, ele revela não ter mágoa por ter tido poucas oportunidades durante o seu tempo, mas confessa o desejo de ter sido convocado entre os anos de 1968 e 1969.

Ao todo, com a camisa canarinho, Da Guia fez apenas 12 partidas, com sete vitórias, três empates, duas derrotas e nenhum gol marcado. Ao lado de Zico, Sócrates, Falcão, Roberto Dinamite e Júnior, entre outros, Ademir da Guia pode ser considerado mais um desta lista de craques que marcaram época nos clubes, entretanto não obtiveram o mesmo sucesso com a camisa verde e amarelo em relação a títulos. Azar da Seleção e da Copa do Mundo...

ENTREVISTA COM ADEMIR DA GUIA - O DIVINO DA BOLA parte 1


Com muita honra, entrevistei o divino mestre Ademir da Guia, um dos maiores ídolos, senão, o maior da história do Palmeiras. Para quem não conhece muito a história dele, abaixo a sua biografia como jogador de futebol. Confira abaixo a primeira parte da entrevista exclusiva de seu Ademir para o BLOGSPORTECLUBE.

Filho de Domingos da Guia – chamado de “Divino”, um dos maiores zagueiros que o Brasil já produziu, que já foi campeão em três times de países diferentes (Vasco-BRA, Boca Jrs-ARG e Nacional-URU), jogou pela seleção na Copa de 1938, na França e fez carreira no Bangu-RJ e Corinthians-SP nos anos 1940 -, Ademir da Guia foi um dos jogadores que fizeram história no futebol brasileiro, principalmente no Palmeiras nas décadas de 1960 e 1970.

Ademir nasceu em 1942, em Bangu, no Rio de Janeiro, com dois anos de vida, chegou a São Paulo para ver o pai jogar no Corinthians. Visitou diversas vezes o Parque São Jorge, mas quatro anos depois voltou à terra natal, lugar em que Domingos encerrou a carreira. A influência do futebol era mais que evidente e o menino deu os primeiros passos neste esporte jogando no Bangu, clube em que jogou o pai. Desde 1957, participou das categorias de base e foi campeão com o time carioca do 1º Torneio Internacional de Nova York em 1960. Ele brinca que se considera tricampeão no clube, pois em 1954 ganhou o carioca de natação, cinco anos depois foi campeão juvenil e ganhou o título internacional de NY em 1960.

Ademir revela que o pai o levou para treinar no Corinthians antes da metade dos anos 1950. Ele também treinou no Santos por alguns dias, mas acha que o destino fez com que eles voltassem para Bangu e ele começasse a carreira por lá.

Em 1961, com 19 anos de idade, transferiu-se ao Palmeiras, porém as negociações com o time carioca não foram fáceis. Ademir conta que durante as excursões do Bangu para jogar em Campinas, houve interesse do Guarani, mas sem sucesso. Porém, uma pessoa foi responsável pela grande transformação da vida dele. “Naquela época, o passe era preso. para o Bangu me vender ao palmeiras, eles tiveram que entrar em acordo. ao contrário de hoje, em que o jogador tem um contrato e, assim que termina, ele está livre. Então, quis o destino que o Bangu viesse aqui a São Paulo. O Bangu veio jogar com guarani e ponte preta e o técnico do guarani era o Rivanesk. Ele me indicou para o bugre, porém o Bangu não quis vender. E passaram seis meses, o Rivanesk veio para o palmeiras e novamente indicou o meu nome e, assim, me vendeu”, relata Ademir.

Inicialmente, ir para o Palmeiras foi uma escolha profissional, pois os Da Guia consideravam uma boa estratégia sair de Bangu e jogar por um grande time como o Verdão. A partir daí começou a carreira vitoriosa de Ademir. No clube paulista ganhou praticamente tudo o que disputou. Participou de um time que era considerado a “Academia”, pois chegava até a rivalizar com o Santos, de Pelé. Quando chegou ao Verdão, ficou um ano e meio na reserva, pois o time era muito bom e somente em 1963 começou a figurar entre os titulares na equipe, de onde não saiu mais.

Nos anos 60, o Palmeiras fazia diversas excursões para o exterior. Assim, jovem promissor, ganhou torneios internacionais considerados importantes naquele período como:

1962 - Torneio Quadrangular de Lima-PER, Torneio Cidade de Manizales-COL e Fita Azul do Futebol Nacional.
1963 – Torneio de Florença-ITA; Torneio Pentagonal de Guadalajara-MEX
1969 – Troféu Ramón de Carranza-ESP

Já em terras nacionais, Ademir e o Palmeiras colecionavam títulos e ao lado do Santos consagraram-se como os melhores times brasileiros da década.
Campeonato Paulista (1963, 66 e 69 – neste último, venceu o Torneio Início do Campeonato Paulista)
Torneio RIO-SP (1965)
Taça Independência; Copa IV Centenário do RJ (1965)
Torneio Quadrangular de SP (1966)
Taça Interestadual de Campeões SP-PE (1967)
Taça Brasil (1967)
Taça Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 69)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O METEORO MARCELINHO, ex-Grêmio


Logo que surgiu no futebol no início dos anos 2000, Marcelinho foi destacado por muitos da imprensa, atletas e técnicos como uma das grandes revelações do esporte nacional. O novo ídolo do Grêmio era uma das grandes esperanças do tricolor gaúcho, que naquele momento passava por uma crise econômica e sofria com a falta de títulos. Porém, devido a aspectos dentro e fora de campo, o atacante não durou muito no time gremista.

Vendido ao São Caetano, também não vingou. A partir daí, o “Meteoro-Marcelinho” passou a jogar por um clube famoso, que nós conhecemos bem: o “Cigano Futebol Clube”. Isto porque atualmente, com apenas 24 anos, o atleta já passou por diversos lugares, mas sem deixar saudades em nenhum deles. Sinal de que rapidamente a carreira estagnou.

A esperança do Grêmio

Em 2000, o jovem de 13 anos de idade chegava ao Grêmio. Já nas categorias de base demonstrava valor e surgia como um atleta diferente. A habilidade e a rapidez que tinha, surpreendia os jogadores e os treinadores da base. Após três anos, os dribles desconcertantes nos adversários logo chamaram a atenção do técnico principal gremista, na época, Adílson Batista. Assim, com 16 anos o garoto da cidade de Santa Cruz do Sul-RS foi promovido ao profissional.

A estreia foi contra o São Paulo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. O jovem atacante entrou no lugar de Cláudio Pitbull, porém não pode fazer muita coisa, pois a equipe gaúcha perdeu para o tricolor por 3 x 1. Outro desafio foi jogar o Gre-Nal, segunda partida do menino, que em três anos cresceu 14 centímetros. Novamente entrou no lugar de Pitbull, mas dessa vez a vitória foi do Grêmio.

O primeiro gol aconteceu no ano seguinte. Primeiro não, os dois gols vieram pela Copa do Brasil. Marcelinho dava o seu cartão de visitas ao futebol brasileiro com arrancadas e dribles. Mas com o tempo, percebeu-se que o atacante não tinha o faro de gol. Era notável a dificuldade do atleta em balançar as redes e, isso, tornou-se o calcanhar de aquiles para ele.

A preocupação em valorizá-lo era tão grande que o Grêmio renovou o contrato, mas queria também corrigir o tal defeito técnico. O jogador foi embora para Porto Alegre a fim de se concentrar mais nos treinamentos e fugir de assédios. Porém, não deu certo. A joia gremista recebeu atenção especial de assistente social e um psiquiatra para cuidá-lo. A irregularidade do atacante era cada vez mais visível e o fim do ciclo no Grêmio foi inevitável.

A seleção brasileira

Mesmo com altos e baixos, Marcelinho ainda chegou a fazer parte da seleção sub-20 em 2004 e 2005. Entretanto estava no lugar errado na hora errada. Apesar da boa safra brasileira naquela época, o fiasco de nem ter participado da Olimpíada de Atenas, além dos fracassos no sul-americano e mundial marcaram aquela geração de base. O ex-gremista, que era reserva, participou de algumas partidas, mas não deixou saudades.

Após a frustrada participação na seleção sub-20, o atacante chegou ao São Caetano, com a intenção de se redimir e mostrar que tinha potencial para destacar-se no futebol tupiniquim. Sem sucesso, não demorou a ser emprestado ao Juventude-RS. Até que lá ele teve uma boa passagem, marcou um gol na vitória sobre o ex-time paulista. O empréstimo ao clube gaúcho havia terminado e ele voltara a ser do ABC na temporada seguinte, por onde novamente voltou a render pouco, até que em 2008 saiu do país para jogar na Turquia.

A coleção de fracassos

Com apenas 21 anos, as idas e vindas aos times só mostravam o quanto queria recuperar o prestígio perdido. Seria a solução jogar fora do Brasil? No Bursaspor-TUR, nenhuma novidade. O “cigano” não fez boas atuações e voltou ao país e estado de origem. Um ano depois, mais um empréstimo, agora ao Caxias. Aquele menino rápido e insinuante dava lugar a um atleta fora de forma, acima do peso. Resultado: ficou apenas dois meses, onde sequer estreou na equipe Grená.

Em 2010, enfim, conseguiu quebrar o jejum de gols que já durava cinco anos. Aquele feito pelo Juventude contra o São Caetano foi o último. A chegada ao Avaí fez bem para o jogador. Sem dúvida, um dos tentos mais importantes da carreira dele foi contra o Emelec pela Copa Sul-Americana. Pode-se dizer que Marcelinho escreveu o nome na história do clube catarinense, pois o gol marcado foi o primeiro do time da Ressacada em uma partida internacional fora do Brasil.

O fato poderia dar ânimo ao gaúcho, mas não passou de um “brilhareco”. Na atual temporada, o atleta estava no Linense-SP e disputaria o Campeonato Paulista da 1ª divisão. Mas, novamente ficou pouco tempo, e dois meses depois, rescindiu contrato.

Com apenas 24 anos, o futuro do ex-gremista é uma incógnita. Ainda novo para os padrões do futebol, já apresenta tantos fracassos na carreira, lesões, má preparação física e o velho defeito de não saber fazer gols. Marcelinho ficou mais forte nesses anos para cá, todavia a velocidade foi perdida e não consegue mais driblar como antigamente.

Ficha Técnica

Nome completo: Marcelo Rodrigues

Data de nascimento: 09/01/1987

Local de nascimento: Santa Cruz do Sul-RS

Clubes que defendeu: Grêmio-RS, São Caetano-SP, Juventude-RS, Bursaspor-TUR, Caxias-RS, Avaí-SC e Linense-SP

Seleções de base que defendeu: Brasil sub-20

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segunda-feira, 21 de março de 2011

VAN DER SAR SE APROXIMA DA APOSENTADORIA PARA FECHAR 21 ANOS IRRETOCÁVEIS

2011 no futebol será marcado pela aposentadoria de um dos maiores goleiros da história, o holandês Edwin Van der Sar. Aos 40 anos de idade, ele jogará até o fim desta temporada 2010/11. Conhecido pela capacidade de pegar pênaltis, aliada à segurança e habilidade ao sair do gol com a bola nos pés, Van der Sar se consagrou na maioria dos clubes que passou, construiu uma bela jornada na seleção, conquistou títulos e bateu recordes que apenas jogadores de alto nível poderiam alcançar.


< O início estava escrito

Sabe aquelas histórias contadas por arqueiros consagrados que, só foram ser goleiros pela falta de habilidade na linha ou pela altura? Mais ou menos isso que aconteceu com Van der Sar. Com oito anos, o pequeno holandês foi escolhido pelo treinador do time onde jogava para ser goleiro, pois era o mais alto dos colegas e o dono da posição não havia comparecido ao jogo. A partir daí, não saiu mais do gol e nele fez história no futebol.

Edwin nasceu em Voorhout, lugar onde começou a carreira no time amador, Foreholte. Após cinco anos no clube foi para o VV Noordwijk, onde a sorte bateu à sua porta. Na época, o auxiliar técnico do Ajax, Louis Van Gaal, foi à Noordwijk e recebeu uma proposta do treinador do time da cidade, Ruud Bröring, por Van der Sar. A oferta foi aceita e o goleiro se transferiu para o time de base do Ajax. Por lá se aprimorou na famosa escola de Toekomst (o Futuro), lugar em que o clube de Amsterdã forma jogadores ao elenco principal.

< A grande passagem pelo Ajax

Em 1990, subiu ao time profissional do Ajax. Após dois anos, ainda na reserva veio o primeiro título da carreira, a Copa da Uefa. Parecia um começo difícil, pois era suplente de Stanley Menzo, um dos melhores arqueiros do país naquele período. Entretanto, devido às contusões e, principalmente, às falhas de Stanley, Louis Van Gaal – treinador da equipe - não pensou duas vezes em bancar a titularidade de Van der Sar.

O “mão leve”, assim chamado pelos companheiros de clube pela elegância como jogava, fez parte de uma das equipes mais poderosas dos anos 90, com grandes jogadores como o experiente Rijkaard, Overmars, Kluivert, Davids e os irmãos De Boer. Além da Copa da Uefa 1992/93, o goleiro conquistou pelo Ajax quatro Campeonatos Holandeses (1993/94, 1994/95, 1995/96 e 1997/98), três Copas dos Países Baixos (1992/93, 1997/98 e 1998/99), três Supercopas dos Países Baixos (1993/94, 1994/95 e 1995/96), uma Liga dos Campeões da Europa (1994/95), uma Supercopa Europeia (1995/96) e um Mundial Interclubes (1995).

No grande ano de 95, Van der Sar ainda foi eleito o melhor goleiro da Europa. Foram 226 partidas como titular e ainda marcou um gol. Os nove anos de Ajax foram comemorados com uma bela festa de despedida no estádio do clube, a Amsterdã Arena, em 1999, quando se mudou para a Juventus.

< Crise na Itália e redenção na Inglaterra

A transferência era a chance de Van der Sar mostrar na Itália todo o talento consagrado na Holanda. Foi o primeiro goleiro não italiano a jogar pela Juventus, inclusive. Entretanto, a má fase do clube, a relação amena com a torcida e alguns desentendimentos com a diretoria causaram a saída em 2001.

O momento era difícil, até receber uma proposta para jogar no Fulham, da Inglaterra. Com atuações destacadas nas partidas, levou os londrinos às semifinais da Copa da Inglaterra e foi campeão da Copa Intertoto em 2002. O holandês voltava a ser aquele poderoso arqueiro da década de 90. O efeito da boa passagem pelo Fulham resultou na sua contratação ao Manchester United, em 2005, a pedido de Alex Ferguson, que estava de olho nele há tempos e se cansou da falha de goleiros desde a aposentadoria de Schmeichel, em 1999.

Aos poucos, Van der Sar escreveu o próprio nome na história do clube. Apesar de ter sofrido uma série de contusões e ficar fora diversas vezes da equipe, ele aparecia nos momentos mais difíceis e foi decisivo nas conquistas do Campeonato Inglês e da Liga dos Campeões. Este teve um gosto especial, pois na decisão por pênaltis contra o Chelsea, Van der Sar defendeu a cobrança de Anelka e garantiu o título aos Reds Devils em 2009.

< Um líder na seleção

Pela seleção, Van der Sar disputou o Europeu Sub-21 em 1990. Com as oportunidades de jogar na base holandesa, o goleiro sentiu o primeiro gostinho de vestir a Laranja. Mas, somente após as grandes atuações no Ajax, três anos depois, veio a tão sonhada convocação na seleção principal. Em menos de um ano, já fazia parte do elenco na Copa de 1994. Ainda novo, não jogou nenhuma partida do torneio. A estreia do goleiro do Ajax como titular da camisa laranja foi contra a Bielorrússia no ano seguinte.

A Eurocopa de 1996 serviu para a afirmação de Van der Sar com a camisa 1. Dois anos mais tarde, apesar da eliminação para o Brasil nas semifinais da Copa da França, o holandês foi considerado um dos melhores goleiros da competição ao lado de Taffarel, Barthez (França) e Chilavert (Paraguai).

Na disputa pela vaga à Copa de 2002, ele não conseguiu evitar o fracasso holandês, que ficou fora do Mundial. Mas logo se recuperaria com uma boa campanha na Euro 2004, onde perdeu apenas nas semifinais para Portugal, anfitriã do torneio. Para a Copa da Alemanha, levou o recorde de invencibilidade de um goleiro na história da Holanda, 1013 minutos sem sofrer gols. A eliminação diante dos portugueses nas oitavas foi o último momento de Van der Sar em Copas. Contudo, superou Frank de Boer em número de partidas pela seleção e tornou-se o jogador que mais vestiu a camisa laranja, 130 jogos.

O atleta de 1,97m encerrou sua participação pela Holanda na Euro 2008. Apesar da eliminação para a Rússia nas quartas, o goleiro ainda conseguiu igualar o recorde do francês Lilian Thuram em número de partidas em Eurocopas, 16.

Sobre a possibilidade de virar treinador de goleiros da equipe de Old Trafford, ele quer primeiramente se dedicar à família para depois assumir um cargo no clube. Não há dúvidas da capacidade dele, os números comprovam. O sucesso precoce, títulos, eficiência, carinho, prestígio, seleção e recordes batidos. O holandês foi o goleiro que ficou há mais tempo sem levar gols na Premier League, 1031 minutos.

Também alcançou a marca de 1122 minutos sem sofrer tentos em campeonatos disputados na Inglaterra. Foi o atleta que mais vestiu a camisa da seleção laranja. Foi aquele que mais jogou partidas de Eurocopas. Apesar de contrariar o principal objetivo do futebol, Edwin Van der Sar deixará saudades neste esporte.


<< Essa matéria de Yuri Gonçalves você encontra no site "Olheiros.net":

sexta-feira, 18 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA NA LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA

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NESTA TERÇA-FEIRA, NA ALEMANHA, A INTER DE MILÃO VENCEU DE VIRADA O BAYERN DE MUNIQUE POR 3 X 2, E GARANTIU VAGA ÀS QUARTAS DE FINAL DA COMPETIÇÃO.
O RESULTADO CLASSIFICOU OS ITALIANOS, JÁ QUE NA PRIMEIRA PARTIDA DISPUTADA NA ITÁLIA, O BAYERN VENCEU POR 1 X 0, O QUE DEIXOU TUDO IGUAL NO PLACAR GERAL DO CONFRONTO. MAS NOS CRITÉRIOS DE DESEMPATE, O TIME DE MILÃO FEZ MAIS GOLS FORA DE CASA DO QUE OS ALEMÃES.
O JOGO FOI EMOCIONANTE DESDE O INÍCIO. LOGO NOS PRIMEIROS MINUTOS, ETO’O FEZ O PRIMEIRO GOL DA PARTIDA. DEPOIS SÓ DEU BAYERN. A EQUIPE COMANDADA POR ROBBEN, THOMÁS MULLER, RIBERY E MARIO GOMEZ CONSEGUIU A VIRADA AINDA NO PRIMEIRO TEMPO. RESULTADO QUE DAVA A CLASSIFICAÇÃO AO TIME DA BAVIERA.
MAS NA ETAPA COMPLEMENTAR, A INTER FOI SUPERIOR, TANTO QUE CHEGOU AO EMPATE COM SNEIJDER. AO BAYERN SÓ RESTAVA SE DEFENDER, JÁ QUE NÃO TINHA MAIS PERNAS PARA AGUENTAR O RESTANTE DO JOGO. O QUE NÃO DEU CERTO. NO FINAL DA PARTIDA, ETO’O RECEBEU NA GRANDE ÁREA E TOCOU PARA PANDEV FAZER O GOL DA VITÓRIA E DA CLASSIFICAÇÃO.

Confira no vídeo o gol de Pandev que garantiu a vaga à Internazzionalle, na narração de Yuri Gonçalves.